
Um dos maiores desafios atuais da humanidade é sem dúvida deter o aumento do aquecimento global, fenômeno que vem alterando a geografia mundial, dizimando espécies e provocando catástrofes de proporções até então inimagináveis. E uma das melhores estratégias, já adotadas por inúmeras empresas, são os programas Carbon Free ou Carbono Zero, que têm como objetivo contribuir para a melhoria da eficiência ambiental de processos e produtos, implementando em suas ações e métodos de produção o princípio do 3R+C: Redução do consumo, Reutilização de materiais, Reciclagem de rejeitos e Compensação das emissões de CO2e.
Praticamente todas as atividades humanas provocam a a emissão de CO2 na atmosfera, uma das principais causas da alteração do efeito estufa. As conseqüências, de acordo com previsões científicas, serão o aumento da temperatura média da superfície terrestre, de 1 a 3,5 graus Celsius, e o avanço do nível médio do mar, de 15 a 90cm, no decorrer deste século.
Como na maioria dos processos é impossível evitar a emissão dos chamados Gases do Efeito Estufa (GEE), entre eles o CO2, uma das formas mais práticas e viáveis economicamente para reduzir o impacto ambiental é compensação da emissão por meio do reflorestamento e recuperação das matas ciliares. As árvores servem como reservatório de CO2 captado na atmosfera, processo conhecido como sequestro de carbono. Na fotossíntese, elas absorvem CO2 e liberam O2, ficando com o carbono (C) aprisionado em seu tronco, folhas e raízes.
Consultorias e ONGs são as principais parceiras das empresas que querem adotar programas com os princípios 3R+C. A ONG Iniciativa Verde, por exemplo, desenvolve uma série e projetos na Bahia e concedeu ao Grupo A Tarde o Selo Carbon Free, usado no Especial Sustentabilidade, pela compensação das emissões de GEE relativas à publicação de um Caderno Especial: Futuro da Água, em 2008. A empresa também recebeu um certificado com a quantidade de árvores que foram plantadas e as coordenadas geográficas do local do plantio.
Os programas Carbon Free são definidos a partir de um inventário de emissões de GEE, usando uma metodologia desenvolvida pelo World Resources Institute (WRI) a partir de dados como consumo de energia elétrica e de combustíveis no transporte, dentre outros. Os cálculos utilizados são científicos e têm como base as pesquisas do Painel Intergovernamental de Mudança Climáticas (IPCC). O órgão é formado por mais de 2,5 mil cientistas de mais de 130 países, que dá embasamento às decisões da ONU relativas à mudanças climáticas, como o Protocolo de Quioto. A partir deste inventário, a consultoria indica as melhores práticas para a redução das emissões e o volume de árvores a serem plantadas para compensar as emissões que não puderem ser evitadas.
Qualquer empresa ou qualquer pessoa pode e deve compensar as emissões de GEE. Sites de órgãos ambientais e ONGs disponibilizam ferramentas para o cálculo de emissão, indicando a necessidade de compensação. Desta forma, uma família pode compensar, por exemplo, toda a emissão gerada com o consumo de energia elétrica, gás, água, produção de resíduos, plantando árvores. Para as empresas, as vantagens de fazer o processo por meio de consultorias especializadas é a outorga do selo, que pode ser usado na comunicação da empresa, produto ou serviço, e a possibilidade de acompanhar o processo de reflorestamento, desde a produção da muda até plantio e desenvolvimento das árvores.
Mais conscientes e também pressionadas pela sociedade e pelos órgãos ambientais, as empresas estão cada vez mais preocupadas em tornar seus processos produtivos mais sustentáveis, sejam eles grandes ou pequenos emissores de GEE, e exemplos vêm de todos os setores. A compensação ou neutralização tem sido uma das principais formas de proteger o meio ambiente.
O Grupo A Tarde conquistou o selo Carbon Free, outorgado pela Iniciativa Verde. Também em parceria com a ONG, a Semana Iguatemi de Moda, mantém o selo desde 2007. Na edição deste ano, por exemplo, chegou-se à conclusão que será preciso plantar 529 árvores nativas da Mata Atlântica para absorver o montante de gás carbônico emitido em todo o evento. O restauro dessa mata neutralizará 83,7 toneladas de CO2 na atmosfera. O Programa Floresta Bahia Global, do governo estadual, um conjunto de ações de descarbonização, teve como ato símbolo do início do programa a neutralização das emissões das aeronaves utilizadas pela equipe do governo nos deslocamentos no território baiano.
Outro exemplo de evento sustentável é o Circuito Braskem Eco Run, uma série de corridas de rua realizadas em sete capitais brasileiras (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Salvador e Maceió). Todo carbono emitido para organização das provas são neutralizados por meio de compra de créditos de carbono, em de parceira com a Carbovita – empresa voltada para esse segmento. A estimativa da Carbovita é que 53 toneladas de CO2 foram emitidas na etapa baiana, em agosto, que serão compensadas com o plantio de 371 mudas de espécies da Mata Atlântica no Parque Estadual na Serra do Mar, em São Paulo.
Já a Natura, que desenvolve seu próprio Programa Carbono Neutro, optou por patrocinar projetos que se destacaram pelo perfil socioambiental e potencial inovador. O principal diferencial do programa é o compromisso da empresa com a redução das suas emissões relativas em 33% até 2011. Apenas o que não é possível reduzir está sendo compensado por meio desses projetos.
Pela primeira vez, a empresa está apoiando um projeto baseado em Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). No total, a empresa vai compensar 228 mil toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente), contra uma emissão de 188.051 mil toneladas de CO2e.
Na Bahia, a empresa selecionou dois projetos: “Carbono, Biodiversidade e Comunidade no Corredor Ecológico Pau Brasil” e “Fogões Eficientes no Recôncavo Baiano”. O primeiro tem como objetivo a promoção do reflorestamento para restabelecer um corredor de vegetação nativa que unirá dois importantes fragmentos protegidos da Mata Atlântica O Parque Nacional do Pau Brasil e o parque nacional de Monte pascoal. O projeto será executado pelo Instituto BioAtlântica (Ibio) e a quantidade de compensação disponibilizada para a Natura de 79.050 toneladas de CO2e.
O segundo tem como objetivo substituir o uso de fogões à lenha rudimentares por fogões eficientes e menos nocivos às famílias e com um consumo reduzido de lenha. Com a implementação dos fogões eficientes, o projeto irá reduzir as emissões de GEE das famílias envolvidas em até 60%. A execução será da Consultoria Ambiental PV e a quantidade de compensação disponibilizada para a Natura: 18.880 de Coe.
Do setor de transportes, um dos maiores emissores de GEE, a inciativa vem da locadora Movida, que atua nos aeroportos de várias capitais. Em salvador a frota é de 120 veículos. A partir de cálculos realizados por uma consultoria, a empresa chegou à conclusão que precisava investir R$2 por veículo 1.0 e R$2,50 por outros carros, considerando que cada veículo locado roda 150 quilômetros por dia usando gasolina. Além de investimentos próprios, a empresa busca captar estes valores junto aos clientes em cada locação, mas a adesão é voluntária. Este mês, a empresa realizou o plantio de 514 árvores que vão neutralizar 74 mil toneladas de CO2.
DICAS PARA REDUZIR A EMISSÃO DE CO2
- Fazer a manutenção correta do veículo e reduzir o uso,dando preferência ao transporte público
- Optar por veículos movidos a álcool ou biocombustíveis
- Substituir o ar-condicionado por ventilador
- Desligar eletrodomésticos, como freezer, quando não estiver sendo usado
- Trocar as lâmpadas por outras mais eficientes
- Desligar equipamentos como computadores quando não estiverem em uso
- Configurar computadores para desligar o monitor quando em espera
- Reduzir o consumo de água
- Reduzir consumo de papel e optar pelos reciclados
- Separar materiais reciclados
- Optar por produtos com selo Carbon Free
Fonte: Iniciativa Verde